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Bons Selvagens na Boavaiela no Vale do Côa

Texto e Fotografia dos Bons Selvagens

Queremos mais. Queremos saber mais e conhecer melhor. Apropriar-nos do território para poder falar dele na primeira pessoa. Cravar as unhas nas pedras dos caminhos para que estes quem gravados em nós. Queremo-nos deixar inundar pelas paisagens até que elas sejam a nossa transpiração, a nossa respiração.

Queremos contar-vos tudo sobre o que vivemos onde a cidade acaba. Boavaiela pelo Vale do Côa é a caminhada que vos trazemos. Quase 50 km para percorrer terras de xisto e granito de uma beleza emocionante. Temos quatro dias para o fazer. Quatro dias que vão parecer quatro semanas, mas que vão voar como se fossem quatro horas de liberdade pura.


Uma caminhada em autonomia começa no dia em que se decide ir. O nervoso miudinho cresce quando se es- colhe o lugar e o percurso. Avalia-se o es- forço que o caminho exige com o tempo que se tem disponível, acerta-se o tipo de transporte a usar para chegar ao ponto de partida, e fecha-se a mochila com o essencial: saco-cama, tenda, muda de roupa altamente protegida da chuva, gás, louça e víveres para todas as refeições com requintes de haute cuisine, porque o palato e apetite ficam vorazes em dias de aventura. Quando chega o momento de partir para mais uma aventura, apesar desse momento se repetir um sem números de vezes, sinto-o como se fosse a primeira vez. Tenho dificuldade em me libertar das emoções do dia-a-dia na cidade mas o desejo de chegar ao “nada” para sentir o “todo” e o silêncio da paisagem a entrar-me pelo corpo dentro, faz-me sem- pre partir. Nesse momento sei que estou mais disponível para viver... O Vale do Côa não é desconhecido para nenhum de nós, já cá estivemos em diferentes alturas da vida e queremos agora viver esta paisagem como Bons Selvagens - não há nada como lançar uivos de alegria em conjunto perante um território imponente, e o Vale do Côa presta- se a isso com as suas escarpas vertiginosas, vales de perder de vista e fauna e ora tão particulares. Sempre que vamos para algum lugar, procuramos ir de transportes públicos e bicicleta, mas feitas as contas ao tempo e aos custos, este percurso leva-nos de carro até à aldeia de Quinta Nova, concelho de Pinhel, distrito da Guarda. Guiamos várias horas debaixo da noite até chegar a Belmonte para a pausa do jantar. Passa da uma da manhã quando finalmente chegamos à aldeia de Quinta Nova. Só nos resta encontrar um lugar possível para esticar as pernas e dormir. Passamos perto de uma ponte sobre o Côa e decidimos que é mesmo ali, descemos e dividem-se os confortos: uns debaixo da ponte, outros nas tendas. Adormecer, não é difícil. De manhã, temos a certeza de que todas as horas de viagem na noite anterior valeram a pena. Ao acordar, apesar de o corpo não responder na velocidade certa, há uma energia que nos invade pela curiosidade de querer saber o que está para além da paisagem que avistamos. Des- montamos tudo em menos de nada, mas é obrigatório que o único vestígio da nos- sa passagem seja a impressão das tendas sobre a terra.


Temos pensamentos e vontades que nos fazem caminhar juntos, e a dificuldade até agora não foi dada pela altura ou pela lonjura de onde queremos ir, mas sim pela intenção de preservar a Natureza. Em cada caminhada que fazemos sentimos mais profundamente esta necessidade de a planear, preparar e fazer com os maiores cuidados ambientais possíveis. Torna-se cada vez mais nítida a transformação que estas experiências provocam no nosso dia a dia: é como a imagem de um trilho sinuoso e sem m, mas por onde queremos ir. Na prática, isto tem-se traduzido na opção prioritária do uso da bicicleta e dos transportes públicos para chegarmos ao ponto de partida das caminhadas, na preparação das re- feições necessárias para os dias que vamos estar em autonomia, o que permite a redução do uso de embalagens descartáveis, e termos sempre connosco um saco para apanharmos todo o lixo que encontramos pelo caminho. Sabemos que isto é o mínimo que podemos fazer, mas mesmo estas mudanças exigem de nós reflexão e adaptação. Hábitos da modernidade demasiado fáceis de ganhar e aparentemente difíceis de largar. Depois deste passo, o quotidiano absorve espontaneamente estes gestos e voltamos ao princípio: queremos mais, queremos saber mais, conhecer melhor – para fazer melhor. São nove horas da manhã, mochilas às costas e começamos a caminha- da do primeiro dia. Preveem-se cerca de 25 km até Cidadelhe. A paisagem vai-se desvelando e transformando ao longo de caminhos que nos levam por montes, vales de vegetação rasteira e vistas amp- las, até terrenos baixos de cultivo e pastoreio, com erva que nos chega às orelhas. Chegamos ao Laos e esta sensação estranha dá vontade de rir e brincar por entre a vegetação que nos cobre, como se fosse um labirinto. E corremos, sem rumo nem norte, às gargalhadas. O clima está tão baralhado quanto nós, ora chove, ora o sol queima a nossa pele e assim bailamos o tradicional “põe e tira casaco”, tão comum nestas andanças. Toda esta novidade abre-nos o apetite e, apesar de ainda ser cedo, paramos para almoçar. Sabemos que o terreno vai car mais irregular, vamos precisar de energia, mas acima de tudo estamos sedentos da companhia uns dos outros, e nada melhor que um almoço em modo piquenique para pôr os laços em dia. Repasto feito, desta vez é a ameaça de chuva que nos faz saltar a sesta. Para desgosto de alguns de nós, seguimos caminho.

Vamos subindo e os campos de cultivo à beira-rio ficam para trás. Debaixo das nossas botas ouve-se o barulho de um terreno que ca mais seco e rijo. Os períodos de caminhada não estão programa- dos, são a sede, o calor, o frio, o cansaço, a fome, a paisagem ou a conversa que ditam o ritmo e os momentos de pausa. Por norma caminhamos devagar, com muitas distrações, o que não nos permite contar muitos quilómetros ao final do dia, mas que nos deixa acumular bastantes histórias. E continuamos a subir, passando por alguns olivais. Ao longo do percurso passamos por umas quantas ruínas, pedaços de vida cada vez mais rara junto destes terrenos outrora lavrados. A realidade social hoje em dia é outra, os poucos jovens que vivem nesta região procuram profissões mais ligadas a serviços ou trabalho técnico, deslocam-se para áreas urbanas de maiores dimensões com outro tipo de conforto e outro tipo de entretenimento. Já as pequenas localidades e terrenos abandonados vão ficando com os vincos de uma fotografia antiga que andou de mão em mão por muito tempo. Este cenário ganha uma dimensão poética que nos faz parar. O facto de um de nós se dedicar ao registo das viagens em desenho, imprime nos percursos um ritmo particular e um olhar mais detalhado sobre o que nos rodeia. Estamos muitas vezes em silêncio, deixando que as cores, os sons e os cheiros entrem dentro de nós, enquanto o desenho aparece no papel, como que por artes mágicas. Olhar para estes registos mais tarde é voltar a esses lugares onde tudo ainda se mexe, ouve e sente.

Nestes momentos de pausa sabe- mos que estamos bem, que estamos onde queremos estar e a fazer algo que não só é importante para cada um de nós, mas para os nossos lhos, os verdadeiros exploradores. Se é difícil colocar em palavras a beleza de uma paisagem ou território, é também quase impossível descrever a alegria que dá ver crianças a viver uns quantos dias em modo de autonomia. As crianças tornam-se independentes, superando todos os desafios com que se deparam, e nós, observadores, gostamos de acreditar que esta bravura um dia se vai transformar em sensibilidade para pensar e sentir o meio que os rodeia com carinho e respeito. Já ouvimos dizer que têm grandes planos para o futuro. Aguardamos com esperança. Um vento ligeiro anuncia o m do dia, ao longe as sombras invadem as montanhas no horizonte. Está na hora de seguir até encontrar onde passar a noite, Cidadelhe fica para amanhã e o plano do dia fica por cumprir. Numa boa aventura o plano A escorrega para o plano B que mais tarde se transforma em plano C. É o maravilhoso mundo da vida selvagem em que o Homem se deixa levar pelos ritmos da Natureza. Um trilho fechado pela vegetação, um rio com caudal a mais do que o previsto ou uma trovoada repentina são factores que nos transcendem e nos reposicionam na qualidade de seres independentes, livremente adaptados ao meio que nos rodeia.


Pernoitamos na aldeia de Madalena, num terreno emprestado. Está frio e húmido e montamos as tendas com noite cerrada. A conversa e a charcutaria de qualidade fazem o nosso deleite, o corpo vai quebrando e os sonhos chegam. A manhã está chuvosa e o pequeno almoço é tomado dentro da tenda. Numa aberta desmontamos com a maior velocidade de sempre e vamos tomar um café na aldeia. Damos duas de letra com o dono do estabelecimento, com a sua mulher e clientes matinais e tentamos saber como se vive por ali: “Bem. Com muito trabalho.” As mãos tão grossas como as camisolas que vestem não deixam dúvidas, o trabalho destas pessoas foi e será o da terra. Mas também ficamos a saber que há cada vez menos gente a viver deste fruto. A União Europeia tem como plano para a manutenção da paisagem do interior do País, um programa de financiamento para quem se compromete a cultivar os seus terrenos. O aspecto pouco cuidado de muitas das parcelas que vi- mos deixa-nos a pensar, será possível que os seus proprietários vivam do que a terra lhes dá se a terra não está devidamente trabalhada? Com estes pensamentos seguimos pela manhã fresca e húmida, primeiro em estradão e depois por caminhos da Grande Rota. À medida que avançamos a paisagem fortica-se, os montes são mais extensos, a vegetação mais agreste e lá ao longe avistamos o desenho do Côa nestas grandes e altas paredes, ora de xisto a Sul e Norte, ora de granito na zona centro do percurso do rio. Desde Novembro 2016 que caminhamos juntos por território nacional e temos visto ribeiros sem água e rios com níveis muito baixos. Aqui não é diferente.


Uns meses depois deste passeio, o Instituto do Mar e Atmosfera lançou estudos que traçam um retrato da Península Ibérica preocupante para os próximos anos, e se por brincadeira um dia acreditávamos que fazíamos chover cada vez que nos fazíamos ao caminho, hoje desejamos ter esse poder. E, mais uma vez, sabemos que é com gestos rotineiros do dia-a-dia, todos os dias da nossa vida, que conseguimos actuar para a preservação destes lugares selvagens. Deslocamo-nos para Norte, seguindo a direcção do rio, voando a pique até entrarmos na Reserva da Faia Brava. Consideramos esta Área Protegida Privada um excelente parque de diversões para todas as idades e gostos. São 1000 ha de propriedades nos concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo e Pinhel com fauna e flora variadíssimas, geridos pela Associação Transumância e Natureza (ATN). Para os que preferem a contemplação existem várias espécies de plantas, árvores de longevidade centenária como a Zêlha, o Zambujeiro, o Sobreiro ou a Azinheira, que a esta altura do percurso nos faziam uma sombra imprescindível. Ou arbustos como a Alfazema; a Giesta-branca; o Piorno; o Terebinto; a Cornalheira e o Tamujo que decoram os montes e os sentidos de quem passa. Para os amantes da acção não faltam animais para procurar e identificar como a Cegonha-preta (muito difícil de ver), o Britango, o Grifo, a Águia-real, a Águia de Bonelli, o Bufo-real, o Andorinhão-real, a vaca Maronesa e o cavalo Garrano. Ao passar por muitas destas espécies de plantas, não é fácil atribuir-lhes um nome. Para os mais curiosos é possível fazer visitas acompanhadas à Reserva com guias especializados que nos falam deste lugar na primeira pessoa, conhecendo bem o seu passado ancestral, o desenrolar da sua história e a evolução das comunidades que dele fazem parte. Nós já nos deixamos nas mãos deles mais que uma vez e ficamos sempre a ganhar. Ganhamos conhecimento e um grande respeito por quem faz da preservação da Natureza a sua vida. Também se avistam algumas aves ao longe, mas com a nossa parca experiência é difícil nomear com precisão o que se vê, mas podemos afirmar com segurança que são grifos as aves de grande envergadura a sobrevoar os céus em círculos aproveitando as cor- rentes de ar quente para subir, subir, subir. Estão à procura de cadáveres, alguma carcaça de animal morto que sirva de refeição.


A ATN, depois de longos anos de trabalho junto das populações, conseguiu um acordo com alguns produtores de gado para garantir a alimentação destas aves. Os produtores contactam a associação quando algum animal morre e a associação, por sua vez, certifica-se que não existem doenças para, posteriormente, levar a carcaça para zonas de alimentação específicas. A Associação tem como objectivo introduzir as espécies animais e vegetais que existiam antes da instalação do homem nestes territórios. Neste processo debate-se com muitas dúvidas e reflexões sobre a coexistência de espaços de reserva natural e comunidades habitadas que apoiem essa manutenção, e assim vão seguindo o seu trabalho há 20 anos, com bastante consistência como reconhecem as populações e as instituições legais deste sector.


No percurso pela Reserva encontramos um sobreiro que viu homens partirem mar afora à descoberta de novos Mundos. Olhando para ele compreendemos o nosso tamanho real. Damos-lhe um abraço e seguimos pensativos. Mais à frente somos de novo confrontados com a nossa escala e existência. Um touro Maronês deteta-nos ao longe e antes de desaparecer no meio da vegetação, faz-nos entender que não será naquela direcção que devemos seguir. Ainda bem que estava dois montes fora da nossa rota. Ao final do dia, as energias acompanham a trajetória do sol, a conversa é feita em tom mais baixo e os pensamentos giram à volta dos sabores do jantar e do conforto do saco-cama. Sabemos que estamos perto do abrigo desta noite e por isso a passada não tem de ser tão firme e determinada. Neste ritmo quase lânguido e distraído, somos apanhados na surpresa de uma manada de Garranos com crias, cavalos que vivem em ambiente semi-selvagem. O que os torna tão belos, mais do que o seu pêlo cor-de-fogo, é a visão de animais de grande porte em liberdade e em manada. Apesar de sabermos que não seria impossível, vê-los faz-nos sentir ter ganho o dia. Chegamos ao campo da ATN nas Hortas de Sabóia. Este espaço destina-se a receber todo e qualquer visitante da Reserva ou caminhante da Grande Rota. Apesar de estarmos a caminhar em conjunto, é à noite que nos encontramos como grupo. Ao longo do dia as dinâmicas são muitas, cada um se dedica ao que mais lhe interessa, seja a fotografia, o desenho, a conversa, a contemplação da paisagem, a superação do cansaço, a reflexão, a colecção de pequenos tesouros de pedras e sementes. Enfim, há muito com que nos podemos entreter nas várias horas de caminhada. À noite partilhamos as pequenas descobertas, as dúvidas acerca dos lugares ou espécies encontra- das e divagamos sobre modos de vida, os de outrora, os de agora, os dali, os nossos, e enchemos um púcaro com vinho da região. Partilhamos deliciosos manjares improvisados que trazemos semi-preparados de casa, mais um púcaro e o corpo volta a quebrar. Sempre que possível gostamos de fazer uma fogueira, que é a melhor companheira das noites de convívio. Desta vez a fogueira é feita entre-muros, na casa de Sabóia, mas acabamos por car ao ar livre porque a noite pôs-se propícia ao desabrigo. Apesar de tanta emoção, amanhã a alvorada será cedinho, porque aprendemos a gostar de caminhar pela fresca. O silêncio invade as tendas ou os sacos-cama e o sonho instala-se.

De manhã somos acordados pelo relinchar de um cavalo, o que mais se pode querer? E tudo se repete, desmontar arraial em menos de nada, olhar para trás, confirmar que não fica nada para contar a história, e deixarmo-nos conquistar por este território impressionante. Temos pela frente o caminho até Castelo Melhor e vai ser o Sol o nosso companheiro de caminhada. Mochila às costas e volta o tempo de conversa, de paragem para descanso, para a habitual muda de roupa ou para dar água aos cães, que deliram com o mato. Duas horas a caminhar e paramos para que os pombais, característicos desta região, fossem registados pelo traço da caneta precisa e rápida. Esta construção cilíndrica, que lembra os moinhos de vento, é usada para dar abrigo a pombos, que por sua vez contribuem com adubo para os terrenos e servem de caça à Águia-de- Bonelli. Hoje em dia são poucos os pombais activos, mas a ATN continua com o seu trabalho de revitalização deste ciclo criado pelo homem, tão importante para alguns animais como a Águia-de-Bonelli, que tem o Vale do Côa como a sua única morada em Portugal.

Vamos caminhando, o dia vai aquecendo e não se dispensa qualquer oportunidade para abastecer de água e claro, conversar um pouco com as pessoas das aldeias por onde passamos. É Domingo, está gente no largo da aldeia de Almendra. As senhoras fazem a sua renda de croché, os homens estão mais perto do café da praça. Estas gentes de Algodres, Madalena, Cidadelhe... partilham facilmente água, fruta ou o que tiverem para dar. E sem- pre questionei na minha reservada maneira de estar no desconhecido, porque é tão fácil comunicar e partilhar nestas caminhadas. Será pelo aspeto frágil que transportamos nos corpos, despojados de bens inúteis concentrando o essencial numa mochila maior que as nossas costas, ou pelo sorriso fácil que temos quando encontramos um rosto mesmo que incógnito depois de horas caminhando em território longe dos homens? Seguimos com temperaturas de Verão. É a paisagem, com a mudança de terreno silvestre para montes cultivados de Oliveira, Vinha e Amêndoa, que anuncia o nosso destino Ao nosso lado esquerdo os terrenos do Douro estendem-se em tons de verde claro e amarelo, contrastando com o azul vivo do céu. Apesar de ser paisagem de cultivo, não deixa de ter a sua beleza. Estamos no Douro, sabemos disso porque o conhecemos de vista nua, em fotografia ou até mesmo em anúncios promocionais de vinho e turismo. Mal ou bem, a fisionomia daquele lugar traz- nos familiaridade.

Depois de quatro dias em viagem com algum frio, calor, chuva e muitas estrelas, o cansaço torna a felicidade uma coisa concreta que se sente dos pés à cabeça. Chegamos a Castelo Melhor e to- dos os seres caninos avisam prontamente a população com uma chinfrineira ensurdecedora. Como forasteiros, tomamos o castelo de assalto, percorrendo as pedras da muralha sem nos preocuparmos em saber de que lado da barricada estamos. Por fim é a paisagem de cortar o fôlego que nos faz render, quase em vénia, e lançamos o último uivo deste passeio. Ver, conhecer e sentir estes lugares faz-nos querer ir mais longe, não só na aventura de ir em direcção ao desconhecido, mas com a maturidade que estas aprendizagens nos trazem.

Quanto mais conscientes estamos, mais selvagens seremos? Afinal de contas, queremos ser Bons Selvagens.


O FACTO DE UM DE NÓS SE DEDICAR AO REGISTO DAS VIAGENS EM DESENHO, IMPRIME NOS PERCURSOS UM RITMO PARTICULAR E UM OLHAR MAIS DETALHADO SOBRE O QUE NOS RODEIA. ESTAMOS MUITAS VEZES EM SILÊNCIO, DEIXANDO QUE AS CORES, OS SONS E OS CHEIROS ENTREM DENTRO DE NÓS, ENQUANTO O DESENHO APARECE NO PAPEL, COMO QUE POR ARTES MÁGICAS. OLHAR PARA ESTES REGISTOS MAIS TARDE É VOLTAR A ESSES LUGARES ONDE TUDO AINDA SE MEXE, OUVE E SENTE.



 

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